Nascido na Favela da Cocheira, Paulo Cézar Lima reagia desde criança à discriminação e desigualdade raciais no Rio de Janeiro-RJ. Fosse negando alisamento no cabelo, enfrentando porteiros ou quebrando vidros de casas nobres, ele já demonstrava ser indomável e contestador, não aceitando subserviência nem subalternidade.
Adotado pelo ex-jogador Marinho Rodrigues, teve a oportunidade de conhecer as Américas e se conscientizar da causa negra. Paulo Cézar sempre se impôs por seu talento, educação e personalidade, incapaz de dar um pontapé. Desfilou com sua arte por onde passou: os quatro grandes do Rio, Corinthians, Grêmio e Olympique de Marseille-FRA. Entre tantos títulos de expressão, basta dizer que foi campeão mundial com a Seleção Brasileira em 1970.
Revolucionou ao trazer diretamente de Los Angeles-EUA a afirmação de sua origem e beleza: o cabelo Black Power pintado como os Panteras Negras. Incompreendido, acharam que era apenas moda e o apelidaram de Caju. Rebelde e destemido, enfrentou dirigentes e militares em plena ditadura. A maior represália foi não ter sido convocado para a Copa do Mundo de 1978. O golpe teve troco: escreveu para O Pasquim durante o mundial da Argentina. Trata-se de um crítico contundente de padronizações, sejam elas táticas, sejam culturais, cerceadoras da liberdade e da igualdade.








