Partida marcada para as 13h30 no campo do Nacional, reduto varzeano para finais de campeonato Kaiser na região central da cidade de São Paulo. O time Leões da Geolândia tinha a expectativa de acumular um bicampeonato, e dessa forma, investiu na contratação de novos jogadores, técnico e fardamento. Parte do time campeão de 2013 foi adquirida pelo concorrente na Copa Kaiser, o time do Pionner.
Por volta do 12h00 parte considerável dos torcedores já escolhiam seus lugares, petiscavam e bebericavam as iguarias do futebol vendidas na entrada do campo: churrasco, pernil, cervejas (outras marcas além da Kaiser) além do quitute juventino, o famoso canolle do Senhor Antonio. A composição da torcida era majoritariamente de homens, negros e de baixo poder aquisitivo. A maioria desses torcedores vestiam a camisa dos times competidores ou de outros times amadores que competiram na Copa Kaiser. Foi notada também tatuagens e artigos como bonés, unhas decoradas, cordões dourados com o emblema do time, principalmente do Nove de Julho.
No vestiário, o time do Nove era convocado para uma batalha: gritos, convocatárias e muito compromisso em ganhar a sua primeira final na Kaiser. Já no vestiário do Leões: samba, Nossa Senhora Aparecida na mesa próximo ao kit de primeiros socorros. Um certo clima de desconcentração como estratégia contra o nervosismo. Fotos de campeões 2013 decoravam a parede e o tema se repetiu também fez parte da preleção final, junto aos dirigentes e ao técnico José Maciel (ex- Pery Novo). A imprensa varzeana não ficou de fora: Carlão Carbone e sua câmera, Várzea na TV (Cocada) e Eduardo Lima do blog FutLiga.
A presença da marca esportiva Topper foi observada no portal inflável da entrada do vestiário, uniforme dos árbitros e placas do entorno do campo. A arbitragem, da Federação Paulista de Futebol, trouxe duas bandeirinhas mulheres para apitar o jogo. Não faltaram comentários machistas do início ao fim da partida: “Eu gostei da loirinha!”. O hino brasileiro foi executado com os dois times enfileirados e arbitragem no meio. O som estava baixo, mesmo bem posicionada, a pesquisadora teve dificuldade em ouvir a música.
O jogo começou truncado no meio campo, e aos poucos o Nove de Julho começou a tocar a bola. O Leões colecionou erros de passes no primeiro tempo. Aos 20 minutos de partida, após contra-ataque, a zaga do Leões ficou desprotegida e o centroavante Diego Washington recebeu dentro da grande área, tocou para o camisa 10 Mosquito que bateu na saída do goleiro Fabio do Leões. Placar aberto para a agitada torcida do Nove de Julho. Nesse instante uma bandeira em formato de camiseta em grandes dimensões foi aberta na área da torcida.
O segundo tempo começou e aos três minutos a zaga do Leões deu bobeira e o atacante Duílio saiu em disparada, driblou o goleiro Fabio e na hora do arremate, bateu, mas o zagueiro Reginaldo tirou em cima da linha salvando o segundo gol do Nove de Julho. As tentativas do Leões não se concretizavam em gol. Com o relógio apertando, o Nove de Julho se fechou na defesa. O Leões, pressionado, empatou no último lance do jogo após lançamento recebido por Bruninho que fez uma jogada individual e cruzou a bola dentro da área do Nove. O lateral direito, Sapo, fez pênalti no zagueiro Sullivan. Reginaldo chamou a responsabilidade e converteu empatando a partida e levando para as dramáticas cobranças de penalidades.
O banco de reservas e dirigentes do Nove de Julho não escondiam a insatisfação com o novo resultado adquirido nos últimos dois minutos do segundo tempo. Por vezes durante a partida o juiz sinalizava os bancos para não saírem da área reservada. O Nove de Julho se esforçou muito para não ser penalizado nesse sentido. Nas cobranças de pênaltis deu Nove de Julho 4 x 3 Leões da Geolândia. A cobrança foi marcada por muito xingamento e ameaças, principalmente do Nove para os Leões. O último e decisivo pênalti foi comemorado entre torcedores e jogadores nas grades atrás do gol esquerdo. A mesma não sustentou o peso e entornou em direção a arquibancada. Nada grave aconteceu e ninguém se machucou.
Entre técnicos, dirigentes, imprensa e jogadores há uma positiva expectativa sobre a condução do campeonato para as próximas edições sem a empresa Kaiser. Ao que tudo indica, a cervejaria Itaipava assumirá o patrocínio do evento e a empresa Evidência, responsável pela produção do campeonato, permanecerá realizando “a excelente organização da copa”, como se ouvi da boca dos entrevistados.