“Rubens Lemos Filho escreveu um livro vingador, com a paixão do menino roubado em seu brinquedo mais querido e a razão do jornalista indignado com os predadores da cidade, que não se pejam de avançar sobre o bem tão valioso quanto o dinheiro público: a memória coletiva. Na tabelinha entre os sentimentos e a reflexão, o autor resgata jogadores, times e jogos que podiam reunir um sexto da população em torno de uma bola rolando nas linhas do poema arquitetônico. […] Ao registrar a história do estádio, Rubens Lemos Filho narra a própria história do futebol potiguar, que ascendeu do amadorismo tosco simbolizado pelo Juvenal Lamartine às domingueiras de clássicos locais (e de confrontos com um dos maiores clubes do país) que superlotavam o Castelão. Um período que durou pouco mais de uma década, até o declínio progressivo nos anos de Machadão, quando os jogos mais importantes passaram a ser testemunhados por públicos inferiores aos das antigas preliminares entre galinhas-mortas que esfriavam o sol para elefantes, dragões e periquitos” (Adriano de Sousa).

