Ao pensar a literatura de Nick Hornby, é possível apontar que o autor, a partir de suas próprias tragédias, estabelece um enredo em que o futebol é tratado como obsessão. Hornby parece lançar uma tese a esse respeito: a “febre de bola”, que se poderia compreender enquanto a passionalidade (sobretudo clubística) que promove um amálgama entre viver e torcer, tornando-os elementos quase indistintos. A respeito desta febre futebolística esboçada pelo autor, o objetivo desta pesquisa é, portanto, analisar a relação estabelecida entre torcedor e clube, com base no amálgama entre memória e literatura, na autobiografia Febre de Bola. Sendo assim, de que forma a memória e a literatura auxiliam na construção da noção de febre de bola, desenvolvida por Nick Hornby, na obra homônima? Ou seja, de que forma a memória de um sujeito, junto à estética literária utilizada por este, auxiliam na construção de um elemento coletivo e passível de reverberação? A hipótese da presente pesquisa consiste em uma reapropriação de Febre de Bola, no sentido de legitimar as mudanças engendradas nos estádios ingleses, bem como de auxiliar na restauração da imagem do futebol da então recente Premier League. Ao que tudo indica – e é o que se pretende investigar também – há uma centralidade da obra em questão na literatura esportiva inglesa. Há a desconfiança de que tal obra influenciou não apenas uma nova forma de se falar sobre futebol, como também certo boom relacionado ao crescimento da produção de obras de cunho biográfico, sobre o esporte. Nick Hornby, escritor inglês, com inserção em Hollywood e autor de títulos como Alta Fidelidade, Um Grande Garoto e Uma longa queda, tornou-se conhecido graças à autobiografia Febre de Bola, o primeiro best-seller emplacado por ele. Com base na ideia de pensar texto e contexto na literatura, como aponta Antonio Candido e Raymond Willians, é possível identificar o problema do hooliganismo inglês, sobretudo na década de 1980, como o principal motivador da temática da obra, bem como elemento que se torna interno ao texto, na medida em que Hornby realiza um elogio ao torcedor comum – aquele que não é desregrado. A obra exerce, também, um papel de centralidade nas produções literárias inglesas de cunho esportivo, tendo em vista as reapropriações e ressignificações do livro, por parte dos jornais daquele país. Para acessar clique aqui.